terça-feira, 23 de abril de 2019

REENCARNAÇÃO COMPROVADA EMPIRICAMENTE PELA PRIMERIA VEZ EM ESTUDOS CIENTÍFICOS

                                                    Vida Após a Vida



                                          Devamrita Swami
                                          (Trecho da obra Em Busca da Índia Védica)

Histórias bobinhas de reencarnação têm passagem certa por tabloides e revistas de fofoca, mas um número crescente de pesquisadores eruditos está discretamente acumulando uma formidável soma de evidências que apontam para vidas pretéritas.

A morte é o teste ácido védico. Nesse momento, examina-se o nível de consciência que cultivamos durante a vida. Esse princípio é explicado na Bhagavad-gita (8.6): “Qualquer estado de ser de que nos recordemos ao deixar o corpo, esse estado por certo obteremos”.

O que é tal coisa que está mudando de corpo em vidas passadas, presentes e futuras? As marcas e o modus operandi da alma são visíveis, embora a alma em si seja invisível à visão material direta. O verso seguinte da Gita aconselha: “Aquele que mora no corpo jamais pode ser morto. Em razão disso, você não precisa se lamentar por nenhum ser vivo”.

Os textos védicos nos fornecem informações precisas sobre como a entidade viva, a alma espiritual, transfere-se de um corpo a outro. As leis védicas do cosmos entendidas como governantes dessa transmigração estão certamente longe da jurisdição de nossa ciência empírica. Parece natural, porém, que, por fim, voltaremos nossa atenção a essas leis. Nós, neste momento, descobriremos mais sobre as ramificações sociais védicas da vida após a vida. Em outras palavras, o fato de esta vida ser uma de muitas não é apenas uma realidade pessoal – trata-se de uma realidade social também. Não é preciso sermos sociólogos ou psicólogos para perceber que o conhecimento do samsara – a roda do tempo – pode moldar toda a organização e motivação da sociedade.




O que é tal coisa que está mudando de corpo em vidas passadas, presentes e futuras?

Histórias bobinhas de reencarnação têm passagem certa por tabloides e revistas de fofoca, mas um número crescente de pesquisadores eruditos está discretamente acumulando uma formidável soma de evidências que apontam para vidas pretéritas. A hipnose é uma área de investigação. Os pesquisadores afirmam que o trabalho clínico de hipnólogos rigorosamente científicos supera em muito os esforços de praticantes sem habilidades, que desconhecem técnicas para prevenir fantasias. Dr. Joel Whitton, um professor de psiquiatria da Escola Médica da Universidade de Toronto, é um entre muitos pesquisadores altamente capacitados que utilizam a hipnose para estudar o que as pessoas talvez conheçam de maneira inconsciente de seu passado. Pesquisas demonstram que mais de 90 por cento de todas as pessoas hipnotizáveis fornecem memórias que aparentemente indicam vidas anteriores.[1]

Tendo dedicado milhares de horas gravando tudo o que voluntários hipnotizados falavam sobre supostas existências passadas, Whitton encontrou uma correlação incomum entre essas memórias e as atuais experiências sobre o assunto. Por exemplo, um psicólogo nascido e criado no Canadá falara com um inexplicável sotaque britânico como criança. Ele temia quebrar sua perna, bem como viagens de avião, constantemente mordia suas unhas e tinha uma estranha fascinação por torturas. Uma vez, teve uma estranha visão de estar em uma sala como um oficial nazista, logo após operar alguns pedais. Sob hipnose, o homem relatou memórias como um piloto britânico voando por sobre a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Munição antiaérea quebrara sua perna e, consequentemente, fizera-o perder o controle dos pedais. Depois que seu avião caíra, os alemães o capturaram e o torturaram arrancando suas unhas, após o que ele morreu. Whitton também registrou indivíduos falando em línguas arcaicas que apenas linguistas poderiam reconhecer como norueguês antigo e uma língua mesopotâmica existente entre 226 e 651 d.C.[2]

Dr. Brian L. Weiss, graduado na Yale School of Medicine e coordenador de psiquiatria no Mount Sinai Medical Center, de Miami, escreveu um livro best-seller, Many Lives, Many Masters. Ali, descreve sua conversão de cético a defensor da reencarnação. Um de seus pacientes, enquanto hipnotizado, começou a ter uma regressão de vida passada. O incidente espontâneo induziu Weiss a fazer mais investigações. Ele diz que, desde que publicou seu livro, recebeu uma inundação de cartas de “pesquisadores no armário” – colegas psiquiatras que são investigadores secretos. Weiss diz: “Há muitos psiquiatras que me escrevem dizendo que fazem terapias de regressão há dez ou vinte anos na privacidade de seus consultórios, e pedem: ‘Por favor, não conte para ninguém’. Muitos são receptivos a isso, mas não admitirão”.[3]



A hipnose é uma das técnicas utilizadas para investigação de memórias de vidas passadas.

Os indicadores mais convincentes e concretos são aqueles no trabalho de Dr. Ian Stevenson. Professor de psiquiatria na Escola Médica da Universidade de Virgínia, tem uma impecável reputação em investigação radical e meticulosa. Em vez de hipnose, sua especialidade é entrevistar crianças pequenas que se lembram espontânea e conscientemente de vidas passadas. Ele sugere, devidamente, que sejamos cautelosos antes de admitirmos evidências a partir de regressões guiadas a vidas anteriores. Quando a mente se abre ao transe hipnótico, uma pequena faísca de uma minúscula sugestão pode dar início a um incêndio de cenas vívidas completamente imaginadas. Stevenson, portanto, favorece memórias que surgem sem serem buscadas e que podem ser verificadas através de pesquisa histórica.

Durante os últimos trinta e cinco anos, reuniu mais de 2600 casos de memórias de vidas passadas, dos quais 65 relatos detalhados foram publicados. Reunindo evidências de todos os continentes, diz que esses casos são tão comuns que sua equipe não consegue ficar em dia com tamanha carga de trabalho. Casos são especialmente frequentes em países hindus e budistas do sul da Ásia, entre os povos xiitas do Líbano e da Turquia, entre as tribos da África Ocidental e, curiosamente, no noroeste dos Estados Unidos.

Em geral, as crianças têm entre dois e quatro anos quando começam espontaneamente a falar de uma vida anterior. Porque suas memórias frequentemente são ricas em detalhes, Stevenson é capaz de traçar a identidade de seu nascimento anterior e confirmar as particularidades. Algumas vezes, até mesmo levou crianças às vizinhanças do exato lugar sobre o qual elas falaram e onde ele já investigara e descobrira sobre uma pessoa que vivera e morrera em exata conformidade com a descrição das crianças. Como Stevenson observou, as crianças, sem esforço, andaram tranquilamente por uma vizinhança estranha até sua antiga casa, e lá identificaram posses, parentes e amigos.

Até o momento presente, Stevenson tem dados e casos documentados o bastante para oito livros, com muito mais por vir. Publicou estudos demonstrando que, em um teste com 387 crianças que alegavam se recordar de uma vida anterior, 141 delas tinham fobias que quase sempre correspondiam ao modo exato da morte documentada da identidade anterior que a criança lembrava. As fobias frequentemente se manifestavam entre as idades de 2 e 5 anos, algumas vezes antes de a criança começar a falar sobre uma vida anterior.

De outra perspectiva, Stevenson apresentou descobertas de uma investigação de novecentos casos envolvendo correlação biológica. Ele descobriu que 35 por cento das crianças que se lembravam de uma vida anterior tinham marcas de nascimentos ou problemas de nascença ligados de alguma forma a uma morte violenta que podia ser documentada de acordo com os relatos delas. Para alguns casos, apresentou evidências fotográficas impactantes da correlação fenomenal entre as marcas e problemas de nascimento da criança e as verdadeiras feridas da pessoa cuja vida e cuja morte violenta a criança recontava.[4]

Stevenson descobriu que 35 por cento das crianças que se lembravam de uma vida anterior tinham marcas ou problemas de nascimento correlatos com as memórias.



Todo o trabalho de Stevenson nesse último projeto foi publicado em 1997. A documentação integral, Reincarnation and Biology, exigiu dois volumes de mais de mil páginas cada.[5] Antes que os céticos pensem que a correspondência entre marcas de nascimento e uma morte anterior é apenas coincidência, Stevenson dividiu o corpo adulto de tamanho médio em uma grade de 160 caixas, cada uma com dez centímetros quadrados. Colocando as marcas de pele nessa grade, demonstra de maneira convincente que a chance de uma única anomalia ou irregularidade correspondendo com uma só ferida é de 1 em 160. Contudo, e quanto a casos em que mais de uma ferida e marca de pele coincidem? Ele documenta dezoito casos em que uma criança se lembra de morte por tiro e tem duas marcas de nascença correspondendo ao local em que a bala entrou e ao local em que a bala saiu. Duas marcas de nascimento ligadas a duas feridas reduzem as chances de coincidência para 1 em 25.000 (1 em 160 vezes 1 em 160).

As chances de coincidência sobem astronomicamente no caso de um turco chamado Necip Ünlütaskiran. De suas sete marcas de nascimento, seis coincidem exatamente com feridas descritas em um documento médico para a pessoa falecida recordada. Além disso, Necip esfaqueara sua esposa de uma vida anterior na perna, e a ferida deixara uma cicatriz. A mulher foi identificada e tinha de fato uma cicatriz na perna fruto da violência reportada.

Além de sua descoberta de que características biológicas podem fornecer fortes evidências para a reencarnação, Stevenson também encontrou evidências claras para inferir que algum tipo de corpo intermediário e sutil existe, o qual transfere certas características da vida passada para a seguinte. Ele afirma:

Parece-me que as impressões de feridas na personalidade anterior têm que ser transportadas entre as vidas em algum tipo de corpo prolongável que, por sua vez, age como um molde para a produção de um novo corpo físico com marcas e deformidades de nascença que correspondem às feridas no corpo da personalidade anterior.[6]

Embora o trabalho de Stevenson abale as fundações da ciência moderna, o cuidado e a precisão de sua pesquisa renderam-lhe elogios dos setores mais conservadores do mundo acadêmico. Periódicos científicos de prestígio, como o American Journal of Psychiatry, o Journal of Nervous and Mental Disease e o International Journal of Comparative Sociology publicaram suas descobertas. Até mesmo a American Medical Association – insuperável em tamanho, influência e tradição – declarou oficialmente em seu periódico que Stevenson “reuniu laboriosa e objetivamente uma série de casos detalhados em que a evidência para a reencarnação é difícil de ser entendida com base em qualquer outra esfera. Ele registrou um grande volume de dados que não podem ser ignorados”.[7]

Agora que a investigação da reencarnação está cada vez mais avivada, não devemos hesitar em considerar a antiga ciência védica de como a alma transmigra para diferentes corpos e, em um estado excepcional, para além de toda dimensão material.

[1] H. N. Banerjee, em Americans Who Have Been Reincarnated (Nova Iorque: Macmillan Publishing Company, 1980), p. 195, apresenta um estudo feito por James Parejko, um professor de filosofia da Universidade Estadual de Chicago, o qual revela que 93 de 100 voluntários hipnotizados produziram possíveis conhecimentos de uma vida passada. Joel Whitton encontrou indicações em todos os seus hipnotizados.

[2] Para o trabalho de Whitton, vide Joel L. Whitton e Joe Fischer, Life Between Life (Nova Iorque: Doubleday, 1986), p. 116–27.

[3] “Entrevista: Brian L. Weiss, M.D.”, Venture Inward 6, n. 4 (julho/agosto de 1990): 17–18.

[4] Para o trabalho de Stevenson, vide Ian Stevenson, Twenty Cases Suggestive of Reincarnation (Charlottesville, VA: University Press of Virginia, 1974); Cases of the Reincarnation Type, 4 vols. (Charlottesville, VA: University Press of Virginia, 1974); e Children Who Remember Their Past Lives (Charlottesville, VA: University Press of Virginia, 1987).

[5] O último trabalho de Stevenson é Reincarnation and Biology: A Contribution to the Etiology of Birthmarks and Birth Defects, 2 vols. (Westport, CT: Praeger Publishers, 1997); sua versão condensada é Where Reincarnation and Biology Intersect.

[6] Ian Stevenson, “Some Questions Related to Cases of the Reincarnation Type”, Journal of the American Society for Psychical Research (outubro de 1974): 407.

[7] Journal of the American Medical Association, 1º de dezembro de 1975, como citado em Cranston e Williams, Reincarnation, p. x.

Fonte: Volta ao Supremo
Amigos de Krishna

ESPAÇO PONTO DE LUZ
ROSANA RODRIGUES FREEDMAN

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Prabhupada conversa com Cardeal Daniélou - O porquê de nao comer carne




Uma Entrevista com Srila Prabhupada(da obra A Ciência da Autorrealização)

Não Matarás ou Não Assassinarás?

Srila Prabhupada: Jesus Cristo disse: “Não matarás”. Por que é, então, que o povo cristão está matando animais?
Cardeal Daniélou: Sem dúvida, no cristianismo, é proibido matar, mas acreditamos que há diferença entre a vida de um ser humano e a vida das bestas. A vida de um ser humano é sagrada porque o homem é feito à imagem de Deus, daí matar um ser humano ser proibido.
Srila Prabhupada: Mas a Bíblia não diz apenas: “Não mate o ser humano”, senão que diz de modo abrangente: “Não matarás”.
Cardeal Daniélou: Acreditamos que apenas o ser humano é sagrado.
Srila Prabhupada: Esta é uma interpretação sua. O manda­mento é:“Não matarás”.
Cardeal Daniélou: É necessário que o homem mate animais para ter o que comer.
Srila Prabhupada: Não. O homem pode comer cereais, legumes, frutas e leite.
Cardeal Daniélou: Nenhuma carne?
Srila Prabhupada: Não. Os seres humanos destinam-se a comer alimento vegetariano. O tigre não vem comer suas frutas. Seu alimento prescrito é a carne animal, mas o alimento do homem são os legumes, as frutas, os cereais e os produtos lácteos. Como, então, o senhor pode dizer que matar animais não é pecado?
Cardeal Daniélou: Acreditamos que isso é uma questão de motivação. Se o animal é morto para dar de comer aos famintos, isso se justifica.
Srila Prabhupada: Mas considere a vaca: nós bebemos o seu leite; por isso, ela é nossa mãe. O senhor concorda?
Lord Krishna is Known as Govinda
Cardeal Daniélou: Sim, certamente.
Srila Prabhupada: Então, se a vaca é sua mãe, como o senhor pode deixar que a matem? O senhor tira o leite dela e, quando ela está velha e não dá mais leite, o senhor corta-lhe a garganta. Acaso isto é humano? Na Índia, aqueles que comem carne são aconselha­dos a matar animais inferiores, tais como as cabras, os porcos ou mesmo o búfalo. Matar vacas, no entanto, é o maior dos pecados. Ao pregar a consciência de Krsna, nós pedimos às pessoas que não comam nenhum tipo de carne, e meus discípulos seguem este princípio estritamente. Contudo, se, sob certas circunstâncias, os outros são obrigados a comer carne, eles devem comer a carne de algum animal inferior. Não matem vacas. Este é o maior dos pecados. E, enquanto o homem for pecaminoso, ele não poderá entender Deus. A principal missão do ser humano é entender Deus e amá-lO, mas, se o senhor continuar pecando, não será capaz de entender Deus – isto para não falar de amá-lO.
Cardeal Daniélou: Creio que talvez este não seja um ponto essencial. O importante é amar a Deus. Os mandamentos práticos podem variar de uma religião para outra.
Srila Prabhupada: Então, na Bíblia, o mandamento prático de Deus é que o senhor não pode matar; portanto, matar vacas é um pecado para o senhor.
Cardeal Daniélou: Deus diz aos indianos que matar não é bom, e diz aos judeus que…
Srila Prabhupada: Não, não. Jesus Cristo ensinou: “Não matarás”. Por que o senhor interpreta isso de modo a ajustar à sua própria conveniência?
Cardeal Daniélou: Mas Jesus permitiu o sacrifício do Cordeiro Pascal.
Srila Prabhupada: Mas ele jamais manteve um matadouro.
Cardeal Daniélou: (risos) Não, mas ele comeu carne.
Srila Prabhupada: Quando não há alimento, alguém pode comer carne para não morrer de fome. Isso é outra coisa. Contudo, é muito pecaminoso regularmente manter matadouros apenas para a satisfação da língua. Na verdade, vocês nunca terão nem mesmo uma sociedade humana até que se suspenda este costume cruel de manter matadouros. E, embora a matança de animais às vezes seja necessária para a sobrevivência, pelo menos o animal-mãe, a vaca, não deve ser morto. Isto é apenas uma questão de decoro humano. No movimento da consciência de Krsna, nosso costume é que não permitimos a morte de nenhum animal. Krsna diz, patram puspam phalam toyam yo me bhaktya prayacchati: “Legumes, frutas, leite e cereais devem ser oferecidos a Mim com devoção”. (Bhagavad-gita 9.26) Comemos apenas os restos do alimento de Krsna (prasada).As árvores oferecem-nos muitas variedades de frutas, mas as árvores não são mortas. Evidentemente, uma entidade viva é alimento para outra entidade viva, mas isto não significa que o senhor pode matar sua mãe para se alimentar. As vacas são inocentes; elas nos dão o leite. O senhor tira-lhes o leite, e depois as mata no matadouro. Isto é pecaminoso.
Estudante: Srila Prabhupada, a sanção do cristianismo em relação ao consumo de carne baseia-se no ponto de vista de que as espécies inferiores de vida não têm uma alma como a dos seres humanos.
Srila Prabhupada: Isso é tolice. Antes de tudo, precisa­mos entender a evidência da presença da alma dentro do corpo, daí então poderemos investigar se o ser humano tem uma alma e a vaca não. Quais são as características que diferenciam a vaca do homem? Se encontrarmos uma diferença nas características, pode­remos dizer que, no animal, não existe alma. Se vemos, no entanto, que o animal e o ser humano têm as mesmas características, como, então, vocês podem dizer que o animal não tem alma? Os sintomas gerais são que o animal come, vocês comem; o animal dorme, vocês dormem; o animal reproduz, vocês reproduzem; o animal se defende e vocês se defendem. Onde está a diferença?
Cardeal Daniélou: Admitimos que, no animal, pode haver o mesmo tipo de existência biológica que no homem, mas não existe alma. Cremos que a alma é uma alma humana.
Srila Prabhupada: Nosso Bhagavad-gita diz sarva-yonisu:“Em todas as espécies de vida, existe a alma”. O corpo é como um conjunto de roupas. O senhor está usando vestes negras, e eu estou usando vestes açafroadas, mas, por detrás das vestes, o senhor é um ser humano, e eu também sou um ser humano. De modo semelhante, os corpos das diferentes espécies são assim como diferentes tipos de roupas. Há 8.400.000 espécies, ou roupas, mas, dentro de cada uma delas, há uma alma espiritual, uma parte integrante de Deus. Suponhamos que um homem tenha dois filhos, não igualmente meritórios. Pode ser que um seja juiz da Suprema Corte e o outro seja um operário comum, mas o pai considera ambos como filhos. Ele não faz a distinção de que o filho que é juiz é muito importante, e o filho operário não é importante. E se o filho juiz disser: “Meu caro pai, seu outro filho é inútil; vou decapitá-lo e comê-lo”, acaso o pai permitirá isso?
Cardeal Daniélou: Certamente não, mas a ideia de que toda vida faz parte da vida de Deus é difícil para nós aceitarmos. Há uma grande diferença entre vida humana e vida animal.
Srila Prabhupada: Essa diferença deve-se ao desenvolvimento da consciência. No corpo humano, há consciência desenvolvida. Mesmo uma árvore tem alma, mas a consciência da árvore não é muito desenvolvida. Se o senhor corta uma árvore, ela não resiste. Na verdade, ela resiste, mas apenas até certo ponto. Há um cientista chamado Jagadish Chandra Bose que fez uma máquina a qual mostra que as árvores e as plantas são capazes de sentir dor quando cortadas. E podemos ver diretamente que, quando alguém vai matar um animal, este resiste, chora e emite um som horrível. Deste modo, trata-se de uma questão de desenvolvimento de consciência. A alma, no entanto, existe dentro de todos os seres vivos.
Cardeal Daniélou: Porém, metafisicamente, a vida do homem é sagrada. Os seres humanos pensam em um nível superior ao dos animais.
Srila Prabhupada: Que nível superior é esse? O animal come para manter seu corpo, e o senhor também come a fim de manter seu corpo. A vaca come capim no campo, e o ser humano come carne de um enorme matadouro cheio de máquinas modernas. Entretanto, apenas porque o senhor tem grandes máquinas e uma cena horripilante, enquanto o animal simplesmente come capim, isso não significa que o senhor é tão avançado que somente dentro de seu corpo existe uma alma e que não há alma dentro do corpo do animal. Isto é ilógico. Podemos ver que as características básicas são as mesmas no animal e no ser humano.
Cardeal Daniélou: Mas somente nos seres humanos encontramos uma busca metafísica do sentido da vida.
Srila Prabhupada: Sim. Então, investigue metafisicamente por que o senhor crê que não existe alma dentro do animal – isto é metafísica. Se o senhor está pensando metafisicamente, não há problema, mas, se o senhor está pensando como um animal, para que serve o seu estudo metafísico? “Metafísico”significa “acima do físico” ou, em outras palavras, “espiritual”. No Bhagavad-gita,Krsna diz, sarva-yonisu kaunteya:“Em todos os seres vivos, existe uma alma espiritual”. Isto é entendimento metafísico. Agora, ou o senhor aceita os ensinamentos de Krsna como metafísicos ou terá de se valer da opinião de um tolo de terceira classe considerando-a metafísica. Qual o senhor aceita?
Cardeal Daniélou: Mas por que Deus cria alguns animais que comem outros animais? Parece haver um defeito na criação.
Srila Prabhupada: Não há defeito algum. Deus é muito bondoso. Se o senhor quer comer animais, então Ele lhe dará toda a facilidade. Deus lhe dará o corpo de um tigre em sua próxima vida para que o senhor possa comer carne à vontade. “Por que vocês estão mantendo matadouros? Vou lhes dar presas e patas. Agora comam”.

Assim, os comedores de carne têm reservado para si este castigo. Os comedores de animais tornam-se tigres, gatos e cães em sua próxima vida – para terem mais facilidade.
Leia também: Jesus Cristo e KrishnaO Vegetarianismo e o Movimento Hare Krsna.

Fonte: "The Science of Self-realization" - Swami Prabhupada 
Site: "Volta ao Supremo"

Krishna, Christos, Cristo




Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada 

Em 1974, próximo ao centro da ISKCON em Francoforte do Meno, Ale­manha Ocidental, Srila Prabhupada e vários de seus discípulos fizeram uma caminhada matinal com o padre Emmanuel Jungclaussen, um monge beneditino do mosteiro Niederalteich. Notando que Srila Prabhupada trazia consigo contas de meditação semelhantes ao rosário, padre Emmanuel explicou que ele também cantava uma oração constante: “Senhor Jesus Cristo, tende misericórdia de nós”. A seguinte conversa sucedeu-se.

Srila Prabhupada: Qual é o significado da palavra “cristo”?
Padre Emmanuel: “Cristo” vem do grego “christos”, significando “o ungido”.
Srila Prabhupada: Christos é a versão grega da palavra “Krishna”.
Padre Emmanuel: Isso é muito interessante.
Srila Prabhupada: Quando uma pessoa indiana chama por Krishna, muitas vezes ela diz: “Krishna”. “Krishna é uma palavra sânscrita que significa “atração”. Assim, quando nos dirigimos a Deus como “Cristo”, “Krishna” ou “Krishna”, indicamos a mesma todo-atrativa Suprema Per­sonalidade de Deus. Quando Jesus dizia: “Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome”, esse nome de Deus era “Krishna” ou “Krishna”. O senhor concorda?
Padre Emmanuel: Creio que Jesus, como o filho de Deus, revelou-nos o verdadeiro nome de Deus: Cristo. Podemos chamar Deus de “pai”, mas, se quisermos chamá-lO por Seu nome verda­deiro, teremos que dizer “Cristo”.
Srila Prabhupada: Sim. “Cristo” é outra forma de dizer “krishna”, e “krishna” é outra maneira de pronunciar “Krishna”, o nome de Deus. Jesus disse que devemos glorificar o nome de Deus, mas ontem eu ouvi um teólogo dizer que Deus não tem nome – que só podemos chamá-lO de “pai”. Um filho pode chamar seu pai de “pai”, mas o pai também tem um nome específico. De forma semelhante, “Deus” é o nome geral da Suprema Personalidade de Deus, cujo nome específico é Krishna. Portanto, quer o senhor chame Deus de “Cristo”, “Krishna” ou “Krishna”, o senhor, em última análise, está se dirigindo à mesma Suprema Personalidade de Deus.
Padre Emmanuel: Sim, se falamos do verdadeiro nome de Deus, devemos dizer: “Christos”. Em nossa religião, temos a Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cremos que podemos conhecer o nome de Deus unicamente pela revelação do Filho de Deus. Jesus Cristo revelou o nome do Pai, em decorrência do que consideramos “Cristo” como o nome revelado de Deus.
Srila Prabhupada: Na verdade, não importa: “Krishna” ou “Cristo”, o nome é o mesmo. O ponto principal é seguirmos os preceitos das escrituras védicas, que recomendam o cantar do nome de Deus nesta era. O método mais fácil é cantar o maha-mantra: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. “Rama” e “Krishna” são nomes de Deus, e “Hare” é a energia de Deus. Então, quando cantamos o maha-mantra, dirigimo-nos a Deus junto de Sua energia. Essa energia é de dois tipos, a espiritual e a material. No momento, estamos nas garras da energia material. Devido a isso, oramos a Krishna para que Ele, por favor, salve-nos do serviço à energia material e nos aceite no serviço à energia espiritual. Essa é toda a nossa filosofia. “Hare Krishna” significa: “Ó energia de Deus, ó Deus, por favor, ocupai-me a Vosso serviço”. É de nossa natureza prestar serviço. De alguma forma, acabamos servindo coisas materiais, mas, quando esse serviço é transformado no serviço à energia espiritual, nossa vida é perfeita. Praticar bhakti-yoga [serviço amoroso a Deus] significa livrar-se de designações, tais como “hindu”, “muçulmano”, “cristão”, isso ou aquilo, e simplesmente servir a Deus. Criamos as religiões cristã, hindu e maometana, mas, quando chegamos a uma religião sem designações, em que não pensamos que somos hindus ou cristãos ou maometanos, podemos falar de religião pura, ou bhakti.
Padre Emmanuel: Mukti?
Srila Prabhupada: Não, bhakti. Quando falamos de bhakti, mukti [libertação das misérias materiais] está incluída. Sem bhakti, não há mukti, mas, se agimos na plataforma de bhakti, mukti está incluída. Aprendemos isso no Bhagavad-gita (14.26):
mam ca yo ’vyabhicarenabhakti-yogena sevatesa gunan samatityaitanbrahma-bhuyaya kalpate
“Aquele que se ocupa em serviço devocional pleno, que não cai em circunstância alguma, imediatamente transcende os modos da natureza material e, destarte, chega ao nível de Brahman”.
Padre Emmanuel: O Brahman é Krishna?
Srila Prabhupada: Krishna é Parabrahman. O Brahman é compreendido sob três aspectos: como o Brahman impessoal, como Paramatma localizado e como o Brahman pessoal. Krishna é pessoal e é o Brahman Supremo, pois, em última análise, Deus é uma pessoa. No Srimad-Bhagavatam (1.2.11), isso é confirmado:
vadanti tat tattva-vidastattvam yaj jnanam advayambrahmeti paramatmetibhagavan iti sabdyate
“Transcendentalistas eruditos que conhecem a Verdade Absoluta chamam essa substância não dual de Brahman, Paramatma ou Bhagavan”. O aspecto da Personalidade Suprema é a compreensão última de Deus. Ele tem plenamente todas as seis opulências: Ele é o mais forte, o mais rico, o mais belo, o mais famoso, o mais sábio e o mais renunciado.
Padre Emmanuel: Sim, eu concordo.
Srila Prabhupada: Porque Deus é absoluto, Seu nome, Sua forma e Suas qualidades também são absolutos e não são diferentes­ dEle. Portanto, cantar o santo nome de Deus é associar-se diretamente com Ele. Quando nos associamos com Deus, adquirimos qualidades divinas, e, quando nos purificamos completamente, tornamo-nos companheiros do Senhor Supremo.
Padre Emmanuel: Mas o nosso entendimento do nome de Deus é limitado.
Srila Prabhupada: Sim, nós somos limitados, mas Deus é ilimitado. E por Ele ser ilimitado, ou absoluto, Ele tem nomes ilimitados, cada um dos quais é Deus. Podemos entender Seus nomes na medida do desenvolvimento de nossa compreensão espiritual.
Padre Emmanuel: Posso fazer-lhe uma pergunta? Nós cristãos também pregamos o amor a Deus, e tentamos compreender o amor a Deus e prestar-Lhe serviço com todo o nosso coração e toda a nossa alma. Agora, qual é a diferença entre o seu movimento e o nosso? Por que vocês mandam seus discípulos pregar o amor a Deus nos países ocidentais quando o evangelho de Jesus Cristo está propondo a mesma mensagem?
Srila Prabhupada: O problema é que os cristãos não seguem os mandamentos de Deus. O senhor concorda comigo?
Padre Emmanuel: Sim, em grande parte o senhor está certo.
Srila Prabhupada: Então, qual é o significado do amor que os cristãos têm por Deus? Se o senhor não segue as ordens de Deus, onde está o seu amor? Por isso, nós viemos ensinar o que significa amar a Deus: Se vocês O amam, vocês não podem desobedecer as Suas ordens. E se vocês são desobedientes, o seu amor não é verdadeiro.
No mundo inteiro, as pessoas amam não a Deus, mas sim a seus cães. O movimento da consciência de Krishna, portanto, é necessário para ensinar as pessoas a reviver seu amor esquecido por Deus. Não somente os cristãos, mas também os hindus, os maome­tanos e todos os demais são culpados. Eles se rotulam “cristãos”, “hindus” ou “maometanos”, mas não obedecem a Deus. Esse é o problema.
Visitante: O senhor poderia dizer de que maneira os cristãos são desobedientes?
Srila Prabhupada: Sim. O primeiro ponto é que eles violam o mandamento “Não matarás” e mantêm matadouros. O senhor concorda que este mandamento está sendo violado?
Padre Emmanuel: Pessoalmente, eu concordo.
Srila Prabhupada: Isso é bom. Então, se os cristãos querem amar a Deus, eles têm de parar de matar animais.
Padre Emmanuel: Mas o ponto mais importante…
Srila Prabhupada: Se deixar passar um ponto, haverá erro em seu cálculo. Não importando se o senhor adicionará ou subtrairá depois disso, o erro já está no cálculo, e tudo o que vier a seguir também será defeituoso. Não podemos simplesmente aceitar aquela parte da escritura da qual gostamos e rejeitar o que não gostamos e ainda assim esperar obter o resultado. Por exemplo, uma galinha põe ovos com sua parte traseira e come com seu bico. Talvez um fazendeiro considere: “A parte da frente da galinha representa muitos gastos porque eu tenho que a alimentar. É melhor remover a parte da frente”. Se estiver faltando a cabeça, no entanto, não haverá mais ovos, porque o corpo estará morto. Analogamente, se rejeitamos a parte difícil das escrituras e obedecemos à parte de que gostamos, tal interpretação não nos ajudará. Temos de aceitar todos os preceitos das escrituras tais como eles são dados, e não apenas aqueles que nos convêm. Se o senhor não segue a primeira ordem, “não matarás”, então qual será a possibilidade de amar a Deus?
Visitante: Os cristãos consideram esse mandamento aplicável aos seres humanos, e não aos animais.
Srila Prabhupada: Isso significaria que Cristo não foi inteligente o bastante para usar a palavra certa: “assassinar”. Existe o termo “matar” e o termo “assassinar”. O termo assassinar refere-se aos seres humanos. O senhor acha que Jesus não era inteligente o bastante para usar a palavra certa, “assassinar”, em vez da palavra “matar”?
Matar significa qualquer tipo de morte, e principalmente a morte de animais. Se Jesus quisesse se referir simplesmente à morte de seres humanos, ele teria usado a palavra “assassinar”.
Padre Emmanuel: Mas no Velho Testamento o mandamento “não matarás” refere-se a assassinato, e, quando Jesus dizia “não matarás”, ele estendia esse mandamento para significar que um ser humano deve não somente abster-se de matar outro ser humano, mas também deve tratá-lo com amor. Ele jamais falou sobre a relação do homem com outras entidades vivas, mas somente sobre sua relação com outros seres humanos. Quando ele dizia “não matarás”, ele também se referia ao sentido mental e emocional, de que não devemos insultar ninguém, nem magoar, tratar mal e assim por diante.
Srila Prabhupada: Não estamos interessados neste ou naquele testamento, mas apenas nas palavras usadas nos mandamentos. Se o senhor quer interpretar essas palavras, isso é outra coisa. Entendemos o significado direto. “Não matarás” significa: os cristãos não devem matar. O senhor poderá propor interpretações a fim de manter o atual modo de ação, mas nós entendemos claramente que não há necessidade de interpretação. A interpretação se faz necessária quando as coisas não estão claras, mas aqui o significado é claro. “Não matarás” é uma instrução clara. Por que haveríamos de interpretá-la?
Padre Emmanuel: Mas comer plantas também não é matar?
Srila Prabhupada: A filosofia vaisnava ensina que nem as plantas nós devemos matar desnecessariamente. No Bhagavad-gita (9.26), Krishna diz:
patram puspam phalam toyamyo me bhaktya prayacchatitad aham bhakty-upahrtamasnami prayatatmanah
“Se alguém Me oferecer, com amor e devoção, uma folha, uma flor, uma fruta ou um pouco d’água, Eu aceitarei”. Nós oferece­mos a Krishna apenas o tipo de alimento que Ele exige e, em seguida, comemos os restos. Se oferecer alimentos vegetarianos a Krishna fosse pecaminoso, então este seria um pecado de Krishna, e não nosso. Deus, entretanto, é apapa-viddha – reações pecaminosas não são aplicáveis a Ele. Deus é como o Sol, o qual é tão poderoso que pode purificar até mesmo a urina – algo que, para nós, é impossível. Krishna também pode ser comparado a um rei, que pode mandar enforcar um assas­sino, mas que, pessoalmente, não é sujeito a punições, devido a ser muito poderoso. Comer alimentos oferecidos primeiramente também pode ser comparado a um soldado que mata durante o tempo da guerra. Durante uma guerra, quando o comandante manda um homem atacar, o soldado obediente que mata o inimigo receberá uma medalha. Contudo, se o mesmo soldado matar alguém por sua própria conta, ele será castigado. De modo semelhante, quando comemos apenas prasada [os restos do alimento oferecido a Krishna], não cometemos nenhum pecado. Isso é confirmado no Bhagavad-gita (3.13):
yajna-sistasinah santomucyante sarva-kilbisaihbhunjate te tv agham papaye pacanty atma-karanat
“Os devotos do Senhor são libertos de todos os tipos de pecado porque comem alimentos que são primeiramente oferecidos em sacrifício. Os demais, que preparam os alimentos para desfrute pessoal dos sentidos, comem, na verdade, apenas pecado”.
Padre Emmanuel: Krishna não pode dar permissão para se comer animais?
Srila Prabhupada: Sim, no reino animal, mas o ser humano civilizado, o ser humano religioso, não se destina a matar e comer animais. Se o senhor parar de matar animais e cantar o santo nome “Cristo”, tudo será perfeito. Eu não estou aqui para instruí-lo, mas sim para solicitar-lhe que, por favor, cante o nome de Deus. A Bíblia também exige isso de vocês. Portanto, cooperemos amavelmente e cantemos, e, se o senhor tem preconceito contra cantar o nome “Krishna”, então cante “Christos” ou “Krishna” – não há diferença. Sri Chaitanya dizia que namnam akari bahudha nija-sarva-saktih: “Deus tem milhões e milhões de nomes, e, porque não há diferença entre o nome de Deus e Ele mesmo, cada um desses nomes tem a mesma potência de Deus”. Portanto, mesmo que o senhor aceite designações, tais como “hindu”, “cristão” ou “maometano”, se o senhor simplesmente cantar o nome de Deus encontrado em suas próprias escrituras, o senhor alcançará a plataforma espiritual. A vida humana destina-se à autorrealização, a aprender como amar a Deus. Essa é a beleza eterna do homem. Quer o senhor cumpra esse dever como hindu, quer como cristão, quer como maometano, isso não importa, mas cumpra-o!
Padre Emmanuel: Concordo com o senhor.
Srila Prabhupada: Nós sempre levamos estas contas conosco [apontando para um colar com 108 contas para meditação], assim como o senhor tem seu rosário. O senhor está cantando, mas por que os outros cristãos também não cantam? Por que eles deveriam perder essa oportunidade como seres humanos? Os cães e gatos não podem cantar, mas nós podemos porque temos uma língua humana. Se cantarmos os santos nomes de Deus, nada teremos a per­der; ao contrário, ganharemos, e muito. Meus discípulos praticam o cantar de Hare Krishna constantemente. Eles poderiam também ir ao cinema, ou fazer muitíssimas outras coisas, mas eles abandonaram tudo. Eles não comem peixe, carne ou ovos; eles não usam intoxicantes, não bebem, não fumam, não jogam, não espe­culam e não mantêm relações sexuais ilícitas. Porém, eles cantam muito o santo nome de Deus. Se o senhor quer cooperar conosco, vá às igrejas e cante “Cristo”, “Krishna” ou “Krishna”. Qual poderia ser a objeção?
Padre Emmanuel: Nenhuma. Por mim, eu teria prazer em me juntar a vocês.
Srila Prabhupada: Não, estamos falando com o senhor como representante da Igreja cristã. Em vez de manter as igrejas fecha­das, por que não dar as mesmas a nós? Cantaríamos o santo nome de Deus ali por vinte e quatro horas diariamente. Em muitos lugares compramos igrejas que estavam praticamente fechadas porque ninguém as estava frequentando. Em Londres, vi centenas de igrejas que estavam fechadas ou eram usadas para propósitos mundanos. Compramos uma de tais igrejas em Los Angeles. Ela nos foi ven­dida porque ninguém a frequentava mais. Contudo, se o senhor visitar essa mesma igreja atualmente, encontrará milhares de pessoas. Qualquer pessoa inteligente pode entender o que é Deus em cinco minutos; não são necessárias cinco horas.
Padre Emmanuel: Compreendo.
Srila Prabhupada: Mas as pessoas não. A doença delas é que elas não querem compreender.
Visitante: Acho que compreender Deus não é uma questão de inteligência, mas sim de humildade.
Srila Prabhupada: Humildade significa inteligência. Os mansos e humildes têm o reino de Deus. Isso é afirmado na Bíblia, não é? Mas a filosofia dos patifes é que todos são Deus, e, hoje em dia, esta ideia tem se popularizado. Portanto, ninguém é manso e humilde. Se todos acham que são Deus, por que seriam mansos e humildes? Por isso, eu ensino a meus discípulos como se tornarem mansos e humildes. Eles sempre oferecem suas respeitosas reverên­cias no templo e ao mestre espiritual e, dessa maneira, eles avançam. As qualidades de humildade e mansidão nos levam rapidamente à compreensão espiritual. Nas escrituras védicas, afirma-se: “Àqueles que têm firme fé em Deus e no mestre espiritual, que é Seu representante, o significado das escrituras védicas é revelado”.
Padre Emmanuel: Mas essa humildade não deveria ser oferecida a todos os demais também?
Srila Prabhupada: Sim, mas há dois tipos de respeito: o especial e o comum. Sri Krishna Chaitanya ensinou-nos que não devemos esperar honra para nós próprios, mas devemos sempre respeitar a todos os demais, mesmo aqueles que nos desrespeitem. Porém, deve-se mostrar especial respeito a Deus e a Seu devoto puro.
Padre Emmanuel: Sim, eu concordo com o senhor.
Srila Prabhupada: Acho que os sacerdotes cristãos devem co­operar com o movimento da consciência de Krishna. Eles devem cantar o nome “Cristo” ou “Christos” e devem parar de indultar a matança de animais. Este programa obedece aos ensinamentos da Bíblia; não é minha filosofia. Por favor, aja de acordo com esses ensinamentos e o senhor verá que a situação do mundo mudará.
Padre Emmanuel: Muito obrigado.
Srila Prabhupada: Hare Krishna.

Fontes: "The Science of self-Realization" - Swami Prabhupada
Site "Volta ao Supremo "

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Conhecimento Védico e Jesus não são incompatíveis

“Ainda Tenho Muito a Lhes Dizer”

ainda tenho muito a lhes dizerChaitanya-charana Dasa

Jesus disse que tinha muito mais a dizer, e, na literatura védica, temos muito mais informações e conhecimento acerca de Deus.

Bhaktivinoda Thakura, um santo estudioso vaishnava do século XIX, explica como um verdadeiro devoto deve respeitar outras religiões e suas práticas. Ele disse: “Quando temos a oportunidade de estar presentes no local de culto de outros religiosos no momento de sua adoração, devemos ficar ali de um modo respeitoso, contemplando e refletindo assim: ‘Aqui está sendo adorado o meu maior e adorável Deus, embora esteja em uma forma diferente da que eu adoro. Devido a uma prática diferente ou de um estilo diferente, de fato não consigo compreender completamente o sistema pelo qual eles adoram meu Deus. Mas, vendo isso, estou sentindo um maior apego por meu próprio sistema [de adoração]. Deus é apenas um. Inclino-me diante de seus símbolos, como vejo aqui, e ofereço minha oração ao Senhor, para que ele possa aumentar meu amor para com Ele na forma aceitável para mim.’”
Eu nasci em uma família brahmana e fui educado em uma escola de confissão cristã. Na minha escola, eu aprendi sobre Deus também, tanto sobre os rituais hindus realizados em minha casa, quanto sobre as orações cristãs na escola. Contudo, foi apenas no final da adolescência, quando os devotos da ISKCON me apresentaram a filosofia sistemática da consciência de Krishna ensinada na literatura védica, que eu iniciei um estudo sério sobre a espiritualidade. Quando me deparei com a declaração acima, de Bhaktivinoda Thakura, senti que havia descoberto o elo perdido que poderia integrar meu respeito pela tradição cristã à minha fé de Krishna. O propósito deste artigo é de certa forma semelhante: ajudar os seguidores védicos a obter uma apreciação mais profunda de seu próprio caminho, enquanto oferecem aos cristãos uma nova visão de sua fé a partir da perspectiva de um seguidor védico.
O objetivo final do cristianismo e da consciência de Krishna é o mesmo: ajudar os praticantes a desenvolver o amor a Deus, elevá-los de materialistas a espiritualistas, ajudando-os na jornada de volta ao reino de Deus (volta ao Supremo).
Mas esses ensinamentos são igualmente apresentados no texto bíblico e no texto védico?
Vamos agora explorar os insights oferecidos nesses dois grupos sobre três assuntos altamente úteis para desenvolvermos nosso relacionamento com Deus:
  1. A alma e sua condição existencial.
  2. Deus e Sua natureza amorosa.
  3. Devoção e seu desenvolvimento progressivo.
Por que a Alma Cai Neste Mundo?
Tenho muito a lhe dizer.
A tradição bíblica conta a história de Adão e Eva, na qual eles caíram (em pecado, termo comum no cristianismo) do Jardim do Éden por comerem o fruto proibido em desobediência à ordem de Deus. Devido ao pecado original de Adão, toda a humanidade, tendo descendido dele, é considerada herdeira do pecado e está destinada a sofrer na existência material até ser resgatada pela graça redentora de Deus (na forma de Jesus Cristo).
Esta história implica que todos nós somos vitimados por todos os sofrimentos deste mundo, tais como todos os terremotos, formas de câncer, guerras etc., porque, no passado remoto, alguém comeu o fruto proibido. O fato de sermos sentenciados a sofrer por um pecado que nós mesmos nunca cometemos parece, para qualquer pessoa reflexiva, evidentemente injusto.
O erudito da ISKCON Ravindra Svarupa Dasa oferece uma leitura alternativa da história de Adão, uma leitura que também explica a causa de nossa queda da perspectiva védica:
Quando a Bíblia fala sobre o que Adão fez, está falando sobre o que nós mesmos fizemos. Nós estávamos lá “no começo”, porque, sendo descendentes de Deus e feitos à Sua imagem, não somos seres materiais, mas seres espirituais. Então, somos eternos. Esta é a natureza do espírito: nunca vem a ser; nunca deixa de ser. É por isso que, na Bhagavad-gita, a alma é descrita não apenas como aja, “não-nascida”, e nitya, “eterna”, mas também como purana, “a mais antiga”.
Isso significa que todos nós somos pessoas primordiais. Quando a Bíblia fala sobre Adão, na verdade, está falando sobre nós. Na verdade, Adão, ou Adam, é simplesmente uma palavra hebraica que significa “homem”.
Então, nós somos os culpados. E o que nós fizemos? Qual é o nosso pecado na raiz de tudo isso?
Decidimos que não queríamos servir a Deus, mas queríamos nós mesmos nos tornarmos Deus. Em outras palavras, ficamos com inveja de Deus e quisemos tomar o Seu lugar. Essa é a nossa queda. E ainda estamos caídos até hoje porque ainda temos essa atitude.
Esse entendimento não apenas nos ajuda a entender o que originalmente fizemos de errado, mas também o que precisamos fazer para retornar a Deus.
Temos Apenas uma Chance de Viver?
A noção cristã generalizada é que, se não nos rendermos a Deus aceitando Jesus como nosso Senhor e Salvador nesta breve vida, seremos enviados ao inferno para sofrer pelo resto da eternidade. Essa noção milita contra a premissa fundamental da teologia: um Deus amoroso e misericordioso. Afinal, até os pais comuns, por amor aos filhos, dão a eles várias chances de se reformarem. Então, a alegação de que o Pai Supremo Deus nos dá apenas uma chance não limita o amor ilimitado dEle?
Os insights védicos nos ajudam a entender melhor o amor ilimitado de Deus por nós. O entendimento védico é que somos almas que, na forma humana de vida, têm a chance de reviver nosso relacionamento esquecido com Deus. Se nós negligenciamos ou rejeitamos esta oportunidade, então, de acordo com nossos desejos e nosso carma, nós transmigramos de um corpo para outro em 8,4 milhões de espécies até, por fim, voltarmos à forma humana e termos outra chance. Se nós ainda não usamos essa chance, então continuamos passando pelo ciclo transmigratório e tendo chances de nos voltarmos para Deus até que, finalmente, façamos a escolha certa: voltemos para Deus e vivamos felizes com Ele para sempre.
A coerência do entendimento védico sobre a escatologia foi apreciada até mesmo pelo erudito cristão e pioneiro sânscrito Sir William Jones. Ele disse: “Eu não sou hindu, mas considero a doutrina dos hindus relativa a um estado futuro incomparavelmente mais racional, mais piedosa e mais provável de refrear os homens no vício do que as horríveis opiniões inculcadas pelos cristãos sobre a punição eterna.”
Por que Coisas Ruins Acontecem a Pessoas Boas, Especialmente a Crianças Inocentes?
Essa questão desconcertante tem sido a ruína da teologia cristã. Se aceitarmos a afirmação cristã de que não tivemos vida antes da presente, então com que base nos são dados diferentes pontos de partida para a jornada de nossa vida? Por que algumas pessoas nascem em famílias ricas, enquanto algumas nascem em famílias pobres?
Embora a Bíblia diga que “como você semeia, você também colherá”, a noção cristã atual falha em nos ajudar a entender como isso está acontecendo. A compreensão védica de nós como almas transmigradoras nos ajuda a enxergar a vida a partir de uma perspectiva muito mais ampla de múltiplas vidas. Assim como diferentes sementes são colhidas após diferentes períodos de tempo, também diferentes ações apresentam reações após diferentes períodos de tempo, algumas imediatamente, algumas mais tarde na mesma vida, e outras em uma vida subsequente. As reações cármicas que transportamos ao longo de nossas vidas (humanas) passadas determinam as condições iniciais de nossa vida atual.
A aceitação da lei do karma não é fatalista, criando sentimentos de desamparo e impotência, como algumas pessoas interpretam erroneamente. Também não é psicologicamente prejudicial, criando sentimentos assombrosos de culpa, como alguns outros alegam. Em vez disso, uma compreensão madura da lei imparcial do karma é altamente fortalecedora, pois entendemos que ainda temos controle sobre nossas vidas. Ao se harmonizar com as leis universais da ação, como explicado nas escrituras dadas por Deus, temos o poder de criar um futuro brilhante para nós mesmos, independentemente de quão sombrio o presente pareça ser. É por isso que o escritor W. Somerset Maugham escreveu em O Fio da Navalha: “Já lhe ocorreu que a transmigração (da alma) é ao mesmo tempo uma explicação e uma justificativa do mal do mundo? Se os males que sofremos forem o resultado de pecados cometidos em nossas vidas passadas, podemos suportá-los com determinação e ter a esperança de que, se nos esforçarmos pela virtude, nossas vidas futuras serão menos perturbadoras.”
Quem é Deus?
Na tradição bíblica, não há muito conhecimento positivo sobre Deus, sua morada, personalidade, atributos e atividades.
A Bíblia declara que Deus é o objeto supremo do amor, mas como alguém ama a Deus sem conhecê-lO? Alguém pode amar um conceito ou uma cifra? Não sabendo como Deus se parece, alguns cristãos especulam que Deus, sendo a pessoa primitiva, deve ser um homem velho com uma longa barba. Por exemplo, na célebre Capela Sistina, localizada na Cidade do Vaticano, o teto retrata Deus como um homem idoso criando Adão, que, paradoxalmente, parece mais bonito, saudável e amável do que Deus.
O conhecimento autoexistencial de Deus não está presente na tradição bíblica porque Deus, sendo infinito, é incognoscível para nós seres finitos? Ao mesmo tempo em Deus é certamente infinito e incognoscível para nós por nossos próprios esforços, um aspecto essencial da infinitude e onipotência de Deus é a Sua capacidade de Se revelar a nós se Ele assim desejar. Dizer que Deus não pode Se tornar conhecido para nós é limitá-lO.
Deus Se fez conhecido como uma Suprema Personalidade toda-atrativa através das escrituras védicas. À primeira vista, os textos védicos podem parecer politeístas, fazendo com que os deuses védicos pareçam ser como os deuses pagãos cuja adoração o Antigo Testamento proíbe. Mas um estudo profundo e orientado das escrituras védicas revela que, embora contenham rituais multifacetados para formas de adoração multiníveis, elas são conclusivamente monoteístas. Na Bhagavad-gita, Krishna é glorificado como o único Deus Supremo, com declarações notadamente semelhantes aos elogios bíblicos de Deus. Por exemplo, a Bhagavad-gita (10.32) afirma: “De todas as criações, Eu sou o começo e o fim e também o meio”, o que é semelhante a esta declaração bíblica: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o começo e o fim, o primeiro e o último.” (Apocalipse 22:13).
Neste ponto, a maioria dos cristãos naturalmente se perguntará se Krishna pode ser igualado ao Deus bíblico, especialmente quando a Bíblia não declara isso. Vamos considerar esse ponto com base na escritura e na lógica:
  1. Escritura: Jesus foi crucificado depois de apenas três anos de pregação. Que ele tinha mais coisas para revelar é claramente visto em sua própria declaração: “Ainda tenho muito a lhes dizer, mas agora vocês não são capazes de suportar.” (João 16:12) Os cristãos podem ser fiéis à sua própria tradição e ainda estar abertos à sabedoria das escrituras que não as suas próprias? Tal abertura parece evidenciada na declaração bíblica: “Toda escritura é dada por inspiração de Deus, e é proveitosa para doutrina, para repreensão, para correção, para instrução em retidão, para que o homem de Deus seja perfeito, completamente provido de toda boa obra.” (2 Timóteo 3:16-17) Este versículo é tradicionalmente interpretado pelos cristãos para se referir a “todas as escrituras bíblicas”, mas talvez o espírito ecumênico evidente nas palavras do versículo “toda escritura” sugira uma abertura mais ampla.
  2. Lógica: Se um aluno que está estudando Ciência da Computação no IIT Mumbai vier a saber que a ciência da computação é ensinada mais detalhadamente no MIT, EUA, ele se restringirá ao IIT ou aproveitará a educação disponível no MIT? Se ele estiver interessado em ciência da computação, obviamente ele vai aproveitar a oportunidade para aprender (também) no MIT. Similarmente, se um buscador de Deus, que está desenvolvendo o amor a Deus dentro da tradição cristã, descobre que um conhecimento maior de Deus está disponível em outra tradição, a tradição védica, ele não pode aproveitar essa tradição para enriquecer seu conhecimento de Deus e assim acelerar seu amor a Deus? Talvez seja útil esclarecer as prioridades de uma pessoa ao se propor a pergunta da busca da alma: “Estou interessado no cristianismo (em si mesmo) ou estou interessado em Deus?”
Deus É Grandioso, Mas Como?
A tradição bíblica declara repetidamente a grandeza de Deus, mas não dá muita descrição concreta de Sua grandeza. Por outro lado, a descrição védica de Krishna demonstra graficamente a grandeza de Deus. No décimo primeiro capítulo da Bhagavad-gita, Krishna dá a Arjuna um vislumbre de Sua grandeza inspiradora ao exibir Sua forma universal, uma das maiores visões místicas da literatura mundial. Arjuna viu dentro da forma universal tudo o que existe e todos os seres que existem. Ele viu todos os planetas, estrelas e universos, bem como todos os seres vivos, sejam celestes, terrestres ou subterrâneos. Quando Krishna estava na Terra, Ele também exibiu Sua onipotência derrotando, sem esforço, inúmeros tiranos poderosos, que eram malfeitores no universo.
Além disso, o texto védico por excelência, o Srimad-Bhagavatam (1.2.11), fornece uma profunda ontologia tripartida da grandeza existencial de Deus. Deus existe como três manifestações simultâneas e não-duais:
  1. Brahman: uma refulgência deslumbrante que permeia toda a existência;
  2. Paramatma: a expansão pessoal e localizada de Deus, que reside no coração de todos os seres vivos e em cada átomo;
  3. Bhagavan: a Pessoa Suprema, todo-atrativa, que reside em Sua própria morada no mundo espiritual, retribuindo o amor eterno e ilimitado com Seus devotos.
O que Deus Faz no Seu Reino?
Tenho muito a lhe dizer.
A ideia abraâmica (Velho Testamento) de Deus é primariamente um juiz que recompensa o piedoso e penaliza o ímpio. Se isso é tudo o que Deus tem a fazer eternamente, mesmo pelos padrões terrenos, Sua vida é muito entediante. Mas as escrituras devocionais, como o Srimad-Bhagavatam, explicam que ser um juiz é apenas uma pequena parte da personalidade multifacetada, não onifacetada, de Deus. Krishna tem Sua própria vida de amor eterno com Seus devotos em Seu reino. Lá, Ele Se deleita, não em exibir Sua divindade, mas em retribuir o amor de Seus devotos.
Para facilitar a reciprocidade do amor puro, sem ser impedido pela reverência, Krishna, em Sua suprema morada de amor, desempenha o papel de uma criança travessa e leva outros devotos a desempenharem o papel de serem Seus pais, parentes e amigos. Ele também providencia que Seus devotos não estejam conscientes de que Ele é Deus; eles O veem apenas como o membro mais especial e doce de seu vilarejo. E Ele desempenha esse papel com perfeição. Por exemplo, com aqueles devotos que O amam em vatsalya-rasa (afeição dos pais), Ele Se torna uma criança desobediente e cativante que rouba manteiga de suas casas. As mulheres reclamam com a mãe de Krishna, Yashoda. Krishna engenhosamente finge inocência, e Yashoda é enganada até que a manteiga escorre dos lábios de Krishna e isso o incrimina.
Os céticos que perguntam por que Deus rouba perdem a essência de Seus passatempos: o amor. Além disso, sendo Deus, Krishna possui tudo, então não há dúvida de que Ele não está roubando nada. No entanto, Krishna “rouba” para ter trocas amorosas cheias de diversão com Seus devotos.
Confundir uma nota falsa como sendo genuína é lamentável, mas confundir uma nota genuína como falsa é ainda mais infeliz. De igual modo, enxergar os passatempos supramundanos de Krishna como sendo mundanos, ou, pior ainda, imorais, é confundir a nota genuína das trocas altruístas do amor divino com os tratos egoístas do amor mundano.
As escrituras védicas contêm descrições vívidas de muitos passatempos (atividades) de Krishna. Meditar nos passatempos de Deus faz despertar nosso amor por Ele de maneira fácil e alegre.
Devoção
Jesus enfatizou o mandamento de amar a Deus como o mandamento supremo, o qual aponta, inequivocamente, para o destino final da jornada espiritual. Como vamos desenvolver esse amor? E como sabemos que estamos realmente progredindo em direção a esse objetivo? A literatura bíblica fala sobre três níveis de amor: eros (amor conjugal), philia (amor fraterno) e ágape (amor divino), mas não há muita descrição sobre o amor divino. Certamente, os santos cristãos, como São Francisco de Assis, alcançaram níveis elevados de amor a Deus, mas não há muito caminho delineado na tradição bíblica para nos ajudar a seguir seus passos. As escrituras védicas são únicas no tocante a serem, entre as obras espirituais de todo o mundo, as fornecedoras das informações mais detalhadas sobre os pontos de referência nessa jornada interior.
Os nove principais marcos, descritos nos clássicos devocionais, como o Bhakti-rasamrita-sindhu e o Madhurya Kadambini, são:
  1. Sraddha (fé): A busca espiritual começa com a fé básica de que o reino espiritual existe e pode ser verificado através da experiência pessoal.
  2. Sadhu-sanga (associação com os devotos): O buscador espiritual se associa e aprende com os espiritualistas avançados, por suas palavras e exemplos, sua orientação e inspiração.
  3. Bhajana-kriya (adoção de práticas espirituais): O investigador sério, sob a orientação de um mestre espiritual, adota rigorosamente práticas devocionais, como a meditação mântrica, e se abstém de atividades imorais, como comer carne, jogar, intoxicar-se e fazer sexo ilícito.
  4. Anartha-nivrtti (remoção de impurezas): As poderosas práticas espirituais libertam gradualmente a pessoa de impulsos internos autodestrutivos, como luxúria, raiva, avareza, inveja, arrogância e ilusão, assim como o aquecimento do ouro provoca a separação das impurezas.
  5. Nistha (convicção): Essa mudança interna dramática gradualmente eleva sua fé inicial até esta se tornar uma convicção inabalável, que argumentos e contra-argumentos não podem mais perturbar.
  6. Ruci (gosto): Começa-se a saborear o canto e a lembrança de Deus devido ao gosto avassalador (prazer) que a recordação divina traz.
  7. Asakti (apego): O devoto agora se apega, viciado, à lembrança de Deus e a cantar Seus santos nomes e se absorve em Sua lembrança divina.
  8. Bhava (emoção divina): O devoto experimenta emoções divinas em relação ao Senhor, como alegria, tristeza, ansiedade e desapontamento, muito mais intensamente do que as emoções que um amante mundano experimenta por um amado.
  9. Prema (amor espiritual): Quando essas emoções amadurecem em amor a Deus em um nível puro, abnegado e desinteressado, então esse amor restaura nossa visão espiritual, pela qual podemos vê-lO, que é o amor personificado, a pessoa supremamente amorosa e amável, Deus Krishna.
Esses nove estágios são divididos em muitos outros estágios, ajudando os buscadores a entender precisamente onde estão situados e o que precisam fazer para seguir em frente. E as obras védicas também fornecem ao buscador veículos poderosos para a jornada interior, como yoga, meditação e, especialmente para nossa época atual, o cantar dos santos nomes de Deus. Equipado com este mapa claro e eficiente veículo, milhares de pessoas do Ocidente e do Oriente estão embarcando na jornada interior e desfrutando dela. Seu deleite divino é evidente e visível tanto em seu afastamento sustentável das imoralidades, como também por sua dança pública exuberante enquanto cantam os santos nomes de seu amado Senhor.
Palavras Finais
Um dicionário de bolso e um dicionário completo servem ambos para nos ajudar a aprender uma língua, mas o dicionário completo permite que nos aprofundemos em maiores. Da mesma forma, tanto os textos bíblicos quanto a literatura védica pretendem nos ajudar a desenvolver o conhecimento e o amor a Deus, mas a literatura védica nos ajuda a aprofundar imensamente. Quando nossos intelectos são convencidos filosoficamente sobre nossa situação existencial e sobre a grandeza insuperável de Deus e nossos corações são inundados da lembrança da doce relação de Deus com os devotos, torna-se muito mais fácil oferecer o amor de nosso coração e entregarmo-nos a Deus.
Evidentemente, Jesus tinha muito mais coisas a dizer, mas temia que seus seguidores não pudessem entendê-las ou mesmo suportá-las. Quando algumas dessas coisas sejam reveladas através da literatura védica, talvez alguns de seus seguidores na atualidade já possam suportá-las.
Tradução: Jimmy Mello. Revisão: Bhagavan Dasa.

Fonte: Volta ao Supremo
https://voltaaosupremo.com/artigos/artigos/ainda-tenho-muito-a-lhes-dizer/


Amigos de krishna
https://www.facebook.com/Amigos.de.Krishna/?fb_dtsg_ag=AdyUtsFoVR-M2QWnuW6qLlnQLqGxF9z0T7F_03YpIiqSUQ%3AAdx86tZliktBE4KnH5ldzes5B78vy8ThEfelv-ndSTNOiA



ESPAÇO PONTO DE LUZ ROSANA RODRIGUES